NESTA EDIÇÃO

Excerto “meditação XVII” John Donne 1624

“Nenhum homem é uma ilha, todo em si, todo homem é uma parte de um continente, uma parte de um todo. Se um torrão de terra for levado pelas águas até o mar, o continente  fica diminuído,  tanto  se fosse um promontório ermo , como se fosse a casa  de teus amigos ou o teu próprio lar ; a morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntai: Por quem os sinos dobram; eles dobram por ti” (tradução livre do autor deste texto) .

  Essas palavras escritas pelo renomado poeta inglês em 1624 , tocaram 400 anos depois a Ernest Hemingway  que em 1940 escreveu seu famoso romance  sobre a devastação da guerra civil espanhola e o intitulou : “Por quem os sinos dobram ?”, romance eternizado pelo cinema  em um filme homônimo dirigido por Sam Wood .  Mais perto de nossos dias, o próprio Raul Seixas voltou a esse tema e trouxe  para o imaginário nacional o peso do toque fúnebre dos sinos que ao tocarem por alguém , ou melhor , ao dobrarem por um , dobram por todos .

  As palavras , o poema, o romance , o filme e até mesmo a música , podem ser desconhecidos, mas o sentimento certamente  não o é. Ele faz parte desse conhecimento atávico de que toda a vida neste nosso planeta está unida e faz parte de um todo. Este sentimento  de pertencimento que nos move a doar, que nos move a cuidar do próximo , ecoa fundo em nossa alma . E foi esse sentimento de dever com o próximo que moveu a comunidade do Instituto de Ciências Básicas da Saúde da UFRGS  a sair em auxílio à sociedade que apavorada se trancava em suas casas com medo de um inimigo silencioso que se ocultava e matava sem poupar ninguém.  Cientes de seu papel social professores, alunos e técnicos montaram, em tempo recorde, uma estrutura para realizar exames, desenvolver pesquisa , produzir e divulgar  informação  correta e de qualidade atendendo a um pedido de socorro de uma sociedade acuada. 

  No mini documentário e  no podcast incluídos nesta número contamos a aventura de algumas das pessoas que saíram de suas zonas de conforto e se dispuseram, com o risco de suas próprias vidas,  a trabalhar para ajudar a minimizar as carências geradas pela pandemia.  Sabemos que nossa mostra é uma pequena parte de um esforço desempenhado por todos os segmentos do ICBS, Instituto  que mobilizou suas forças e seus recursos para colocar seu conhecimento e sua capacidade a serviço da sociedade em que esta inserido. Ao registrarmos  os relatos um sentimento de orgulho heroico se fez ouvir de pessoas que venceram seus medos, venceram a inércia e se colocaram em movimento para criar uma onda de dedicação , muito trabalho e muita paixão pelo próximo.  Tenho orgulho de conhecer várias destas pessoas . Tenho orgulho de fazer parte deste Instituto e principalmente tenho orgulho de dizer que a UNIVERSIDADE não fugiu de seu dever e honrou seu papel social. Termino dizendo  – OBRIGADO ! Parece pouco, mas não é um obrigado apenas meu, tenho certeza que é um OBRIGADO de toda Porto Alegre, que talvez nem tenha ficado sabendo   que  foi tão ajudada. Espero que com esse singelo tributo da nossa revista , a comunidade possa ter conhecimento do carinho , da dedicação e do amor com que foi cuidada por esse grupo tão especial.

Feira de Ciências
Trabalhos de divulgação científica dos alunos de Bioquímica I 2020/2 e O que é vida? 2020/2

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