Mulheres na ciência

Rita Levi-Montalcini, Marie Curie, Barbara McClintock, Rosalind Franklin, Rachel Carson, Maria Telkes, Gertrude Elion, Ida Noddack, Sofia Kovalevskaya.

Você conhece algum dos nomes citados acima? Talvez um. Ou dois.

São alguns exemplos de grandes mulheres cientistas. Por que, afinal, não estamos familiarizadxs com esses nomes? Por que não aprendemos esses nomes na escola?

Até o início do século XIX as mulheres ainda eram muito presas aos valores machistas da época, sendo proibidas de trabalhar fora de casa, de se divorciar e inclusive de votar (no Brasil a conquista do voto feminino ocorreu apenas em 1932). A função das mulheres sempre pendeu para o trabalho doméstico, cuidar dos filhos, e servir seu marido (em todos os sentidos). Apesar de ainda sofrermos – e muito – esse reflexo da história, dispomos de maior liberdade do que nossas avós e bisavós. O feminismo é um movimento social, filosófico e político que surgiu em resposta à essa opressão patriarcal e luta pela equidade de gênero, objetivando o empoderamento feminino e a libertação dos esteriótipos de gênero. A partir desse contexto histórico não é muito difícil saber o porquê de não ouvirmos falar sobre grandes mulheres na história ou na ciência. Mas pode ter certeza que elas existiram, existem e sobretudo resistem.

Quando as mulheres começaram a frequentar o meio acadêmico houve estranheza pela parte dos homens, afinal, “lugar de mulher é em casa”. Mas, infelizmente, ir para a universidade era a parte mais fácil comparada às descriminações, assédios morais e sexuais que elas ali sofreriam.  Marie Curie, primeira mulher a ganhar o prêmio Nobel e primeira pessoa a ganhar dois Nobel em áreas diferentes, teve suas descobertas inicialmente rejeitadas e seu marido teve de brigar com comitê do Nobel para que o prêmio não fosse conferido a ele, e sim a esposa. Sofia Kovalevskaya, grande matemática russa, precisou estudar matemática e física em segredo por causa da desaprovação de seus familiares. Rosalind Franklin, biofísica britânica, estudou  a estrutura da molécula de DNA a partir da difração do raio-X. Estes estudos permitiram ao bioquímico norte-americano James  Watson e aos britânicos Maurice Wilkins e Francis Crick confirmar a dupla estrutura helicoidal da molécula do DNA, conferindo a eles o Nobel de Fisiologia ou Medicina. O papel fundamental do trabalho de Rosalind nunca foi citado.

No ínicio deste ano duas cientistas foram “aconselhadas” a arranjar “um ou dois homens” para assinar o estudo com elas, para assim garantir que os resultados de seu trabalho não fossem apenas “interpretações empíricas”. Acho que com esses exemplos já podemos perceber o quão atrasados estamos em relação as questões de gênero. Isso que eu ainda nem citei o assédio moral que existe sobre a mulher engravidar, o que poderia comprometer o estudo, ou os assédios sexuais que são muito frequentes, não só no ambiente científico, mas em todo lugar. Eu poderia ficar o dia inteiro escrevendo sobre relatos parecidos, mas o texto já está ficando grande demais!

A mesa das mulheres na ciência vai abordar um pouco do contexto histórico e vai contar com o depoimento de três maravilhosas mulheres relatando um pouco da suas experiências, dificuldades e estratégias encontradas para lidar com as questões de gênero no meio científico.

Texto pela Equipe da revista

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s