E foi assim que tudo começou…

 

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‘O Jardim das Delícias Terrenas’ (Hieronymus Bosch, 1504) encontrado no Museu do Prado, Madri http://commons.wikimedia.org/wiki/File:The_Garden_of_Earthly_Delights_by_Bosch_High_Resolution_2.jpg

 

Certamente, você já deve ter parado pra pensar em como foi que tudo que  começou?

Como surgiu a vida na terra? Se o criador criou a criatura, então, quem foi o criador daquele que criou a criatura? Se alguém ou alguma coisa criou o primeiro ser vivo, então este não deve ter sido o primeiro. É, essa parece ser uma questão que a biologia ainda não conseguiu decifrar por completo. Bom, os infinitos debates sobre as teorias das origens de nossa existência parecem não ter fim e nem é esse o nosso foco no momento. Vamos apresentar aqui algumas teorias que têm sido levantadas sobre o assunto, mas vale lembrar que cada um deve crer naquilo que achar necessário, então nós não defenderemos nenhum ponto de vista, e tentaremos ser imparciais. Existem algumas teorias científicas, e outras nem tanto, de como surgiu a vida no nosso planeta, qual é a certa ou não, vai depender dos argumentos apresentados e do ponto de vista de cada um. Feito isso, vamos aos fatos!

Segundo o determinismo biológico, a vida deve surgir quando ocorrer condições que lhe são favoráveis, logo, as condições encontradas nos primórdios da Terra permitiram que ocorresse, em algum dado momento (estima-se entre 3,5 e 3,8 bilhões de anos atrás) o surgimento da vida no nosso planeta. A vida como se apresenta hoje é bem diferente do que se tinha no início, a grande dificuldade de compreensão está associada a escassez de registros fósseis da época e, apesar disso, duas grandes frentes levantadas sobre a origem da vida foram defendidas por cientistas e pensadores em diferentes épocas.

Aristóteles, o grande filósofo grego, discípulo de Platão e professor de Alexandre “O Grande” defendia, a mais de 2 mil anos atrás, uma teoria chamada de Geração Espontânea. Ele supôs haver a existência de um princípio vital capaz de gerar vida da matéria inerte (do barro por exemplo), ou seja, de  algo que não fosse vivo. Também defendida por cientistas do final de século XIX a Abiogênese, apresentava a ideia de que a vida surgiu a partir da evolução de matéria não viva.

Nos primórdios do planeta, a constituição de nossa atmosfera era bem diferente do que se encontra hoje, existiam alguns gases em abundância, como Amônia, Metano e Hidrogênio, que juntamente com vapor d’água vindo dos oceanos quentes e das descargas elétricas geradas por raios foram capazes de romper as ligações desses gases e gerar as primeiras moléculas orgânicas do planeta que foram, principalmente, aminoácidos e carboidratos. A partir de então, moléculas inorgânicas deram origem a moléculas orgânicas que se organizaram em protocélulas chamadas de coacervados, que não foram os primeiros seres vivos, mas sim uma das formas mais primitivas de organização. Atualmente, essa teoria também recebe o nome de teoria da evolução gradual dos sistemas químicos ou teoria da evolução moderna, e é uma das mais aceitas na atualidade.

A teoria da Biogênese, defendida por Francesco Redi e Louis Pasteur, diz que a vida deve vir necessariamente de outro ser vivo que já existe, o que de fato serve muito bem para explicar a vida apresentada hoje, mas não para os primeiros habitantes terrestres. Além disso, apresentam-se também outras teorias que propõem uma origem extraterrestre para o início da vida, denominada Panspermia.

A Panspermia diz que a vida teria se originado fora do nosso planeta e teria “aterrissado” em nosso planeta trazida por cometas e asteroides que se chocaram com a terra contendo no seu interior compostos orgânicos diferentes daqueles que já existiam aqui, sendo que o interior desses corpos celestes teria protegido esses compostos do atrito com a atmosfera. Mas, o grande problema desta teoria seria a quantidade de matéria orgânica necessária para que isso pudesse sustentar a toda evolução da vida na terra até o aparecimento dos primeiros seres autótrofos.

Existem ainda várias teorias que tentam explicar a vida através de idéias que não tem origem na ciência, e essas teorias são filosóficas e religiosas e acabam por serem chamadas de teoria do criacionismo. O criacionismo é a teoria religiosa que defende a criação do universo e tudo que há nele – incluindo o planeta terra e todas as formas de vida que o habitam – feita por um criador sobrenatural e divino. Dependendo da religião se atribui um nome específico para cada criador, mas  no geral, todas defendem a ideia de que uma entidade divina arquitetou a vida inteligente como conhecemos hoje.

Contudo, as teorias criadas para explicar como surgiu a vida na terra não dão conta de todos os fatos, por mais que se tente classificar as coisas para que nós sejamos capazes de entender melhor as coisas ao nosso redor, nem tudo depende exclusivamente da razão para o entendimento, existem inúmeros assuntos que a humanidade ainda não é capaz de explicar, e a ciência se esforça para criar modelos e testá-los para esclarecer os fatos e compreender os fenômenos da vida. O tamanho do desafio deve ser encarado como uma fonte de estimulo para a busca do conhecimento, e dentro de suas limitações, a ciência busca sempre a melhor explicação!!

Para estudar:

No YouTube dá para encontrar muito material didático sobre o assunto. Diversos professores de biologia disponibilizam vídeo aulas em sites e blogs, e aqui fica a nossa dica de uma séria de aulas bem legais que ensinam de maneira bem descontraída toda a base teórica dos tópicos que descrevemos neste texto. Vai lá e conferi!!!

https://www.youtube.com/watch?v=uUa1mCm-Hxw 

 

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4 comentários em “E foi assim que tudo começou…

  1. Os registros fósseis mais antigos são de Warrawoona, Austrália, datados de 3,5 bilhões de anos. Neles temos estromatólitos (que são estruturas ainda onde formadas por esteiras de cianobactérias), e creio que tb tem algum tipo de fóssil químico … preciso conferir. Sendo assim a origem da vida seria anterior a Warrawoona ….até porque as formações ferríficas bandadas já existiam algum tempo antes de Warrawoona e sua formação necessitava de oxigênio livre o que implica em autótrofos antes de Warrawoona.

    • Por definição, a palavra teoria significa dar uma explicação a um fenômeno através da observação e descrição deste fenômeno. Assim acho que podemos considerar o criacionismo uma teoria, pois afinal, os textos bíblicos nada mais são do que uma tentativa de explicar como coisas complexas como o surgimento da vida poderiam ter ocorrido.
      Diferentemente de uma teoria religiosa, que é o caso do criacionismo, uma teoria cientifica necessita alguns pré-requisitos para ser então considerada uma teoria.
      Uma teoria científica é montada a partir de hipóteses (ideias sobre como um fenômeno pode ocorrer) sendo que então estas hipóteses podem ser testadas e confrontadas entre si. Várias evidências cientificas descritas sobre um fato acabam então por gerar uma teoria cientifica.
      Entretanto, para se ter uma teoria cientifica é preciso que algumas regras básicas sejam seguidas, e o conjunto destas regras é chamado de método cientifico. O método cientifico necessita de: uma caracterização e observação do fenômeno estudo, uma hipótese de explicação para os fatos observados, previsões ou deduções lógicas das hipóteses, e por fim, uma série de experimentos ou testes que comprovem os fatos observados.
      Assim, a maior diferença entre uma teoria cientifica e religiosa reside no fato de uma teoria científica poder ser posta a prova o tempo todo, ou seja, ela não é necessariamente uma verdade incontestável. Com o avanço do conhecimento e da tecnologia somos capazes de entender melhor como determinados fenômenos ocorrem, e somos então capazes de fornecer explicações mais precisas sobre o que estamos estudando.
      Talvez esta seja o maior nó da teoria criacionista, ela não trabalha com experimentos para comprovar os fatos, e por isso raramente aceita reformulações.

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