Benefícios x prejuízos do uso de adoçantes artificiais

Os benefícios para a saúde dos adoçantes artificiais são inconclusivos, existindo pesquisas mostrando resultados contraditórios. Estudos de longo prazo mostram que o consumo regular de bebidas adoçadas artificialmente reduzem o consumo calórico (simplesmente por subtrair as calorias das bebidas adoçadas) e promovem a perda ou manutenção do peso. Entretanto, existem vários estudos que não demonstram nenhum efeito e vários que demonstram inclusive ganho de peso. Um estudo, por exemplo, acompanhou 3682 pessoas por 8 anos para examinar a relação entre o consumo de bebidas adoçadas artificialmente e o peso. Após a realização de um ajuste para considerar fatores que contribuem para o ganho de peso, tais como dieta, mudança nas quantidades de exercícios e outros, o estudo mostrou que aqueles que bebiam as bebidas artificialmente adoçadas tiveram um ganho 47% maior no Índice de Massa Corpórea (IMC).

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A princípio pensou-se em uma teoria de compensação, onde a pessoa pensava que já que estava consumindo algo sem calorias podia exagerar no consumo de outros alimentos calóricos. Porém, estudos com animais mostraram que o mecanismo era mais inconsciente. Uma das principais teorias seria que os adoçantes artificiais afetariam a habilidade do corpo perceber quantas calorias estariam sendo consumidas. Normalmente o cérebro associa o sabor doce com o consumo de calorias, enviando sinais para que a pessoa diminua o consumo de alimentos pois já consumiu a quantidade energética que precisa. Quando a pessoa consome adoçantes não calóricos o sabor doce não vem acompanhado das calorias que o corpo está esperando. A longo prazo o consumo crônico desses produtos levaria o corpo a não saber mais que o sabor doce virá junto com calorias e acaba não enviando mais o sinal “pare de comer” fazendo com que a pessoa coma muito mais açúcar do que comeria normalmente. Isto é, doces deixam de ser considerados alimentos e viram apenas diversão para o nosso cérebro que é muito mais propenso a exagerar na diversão do que em algo para simplesmente nutrir o organismo.

Um estudo na Universidade de São Diego – Califórnia realizou medidas de ressonância magnética em pessoas bebendo água adoçada com açúcar ou com sucralose. A água com açúcar ativava regiões cerebrais do prazer e da recompensa, enquanto que a água com sucralose não. Eles concluíram que enquanto os sinais de açúcar exercem um efeito de recompensa, os adoçantes não parecem ser uma maneira tão efetiva de saciar aquela vontade de comer um doce, mantendo e, talvez até potencializando o desejo.

 
Conclusão
Esse artigo não tem como finalidade defender nenhum lado. Eu não sou radicalmente contra os adoçantes e nem a favor deles. A maior função desse projeto é desenvolver a curiosidade dos leitores, para que eles possam buscar mais conteúdo e talvez se questionarem sobre coisas que eles podiam achar como definitivas na sua cabeça. O tema adoçantes artificiais é um tema bastante complexo, bastante controverso e bastante presente no nosso dia-a-dia cuja resposta final de se são benéficos, maléficos ou sem efeito ainda não está clara. Se por um lado eles são muito úteis para pessoas que necessitam controlar o consumo de açúcar, tais como os diabéticos, e o próximo artigo vai mostrar que nem isso é bem assim, estudos recentes tem demonstrado que talvez eles não sejam tão benéficos para pessoas que somente queiram limitar o consumo calórico. Todas as agências de regulação, tais como a ANVISA e a FDA dizem que, em quantidades moderadas os adoçantes artificiais são seguros. O grande problema é que com a crescente exposição a esses produtos na nossa alimentação diária, cada vez mais pessoas tem tido um consumo exagerado desses adoçantes, muitas vezes sem saber. Além disso, o efeito da exposição crônica desses produtos sobre o desenvolvimento de crianças ainda é muito desconhecido. Então, assim como tudo na vida, se for utilizar, use com parcimônia.

Autores:

Doutorando Eduardo von Poser Toigo
Doutorando Departamento de Bioquímica -UFRGS

Dra. Leticia Ferreira Pettenuzzo
Pós-doutoranda Departamento de Bioquímica -UFRGS

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