Atividade prática na escola: experimentos sobre água

Nesse número da revista, vamos compartilhar com vocês a experiência realizada por estudantes de graduação com alunos da 4ª série do ensino fundamental. Com o intuito de despertar a curiosidade e o pensamento científico, realizamos experimentos sobre algo muito presente no cotidiano das crianças: a água!

Elaboramos experimentos que demonstram as propriedades básicas da água, utilizando ferramentas simples, com o objetivo de corroborar que é possível estudar ciência nas escolas através de aulas integrativas, lúdicas e práticas.

Utilizando abordagens didáticas e instigando a curiosidade das crianças, iniciamos realizando perguntas críticas acerca de situações comuns do dia-a-dia dos alunos: Por que o mar é salgado mas não conseguimos enxergar o sal na água? De que forma os mosquitos caminham sobre a água e não afundam? Como as árvores “bebem” água e a levam das raízes até a copa? Por que ficamos com os dedos enrugados quando tomamos banhos muito longos? Por que suamos quando sentimos calor? Essas perguntas foram realizadas no início de cada experimento sobre as diferentes características da molécula de água.

Para estudarmos a solubilidade, foi realizada a experiência de misturar água com sal e óleo de cozinha em recipientes separados, para mostrar que a molécula de água interage com outras parecidas com ela, como é o caso do NaCl, mas repele aquelas diferentes, como os lipídeos do óleo.

Os conceitos relacionados com o calor específico da água foram abordados utilizando balões. Demonstramos que a água é capaz de evitar que um balão, cheio desse líquido, quando exposto ao fogo da chama de uma vela estoure. O interesse dos alunos por esse experimento foi grande e possibilitou abordar a importância do suor na manutenção da nossa temperatura corporal.

Na tentativa de auxiliar na resposta da pergunta sobre como o mosquito era capaz de caminhar sobre a água, colocamos glitter em um copo com água e observou-se o acúmulo do plástico na superfície. Logo após, convidamos um dos alunos para que colocasse detergente no copo, e, desfeita a tensão superficial da água, nossos “mosquitos” – o glitter – afundou. Assim, explicamos sobre a grande força que existe entre as moléculas de água na região mais superficial.

O experimento sobre a osmose foi feito com batatas e sal. Entretanto, esse conceito foi o mais difícil para a compreensão dos alunos. Associar o “desaparecimento” do sal com a saída da água e não com a entrada do sal na batata foi custoso, ainda que o motivo pelo qual não podemos enxergar o sal do mar já estivesse elucidado.

O primeiro experimento a começar, mas o último a ser finalizado, foi a experiência em que coramos as flores de cravo. Com a ajuda do corante tornamos visível a subida da água em direção às pétalas, e explicamos que seria impossível que as plantas fizessem esse caminho sem que a água tivesse uma forte interação entre as suas moléculas.

Ao final de cada experimento, os alunos discutiram os resultados obtidos e relacionaram com a explicação do fenômeno observado. Além disso, elaboraram relatórios constatando seu entendimento acerca dos exercícios.

Como fechamento da atividade prática, buscamos relacionar as propriedades da água com o surgimento e existência da vida como ela é, ressaltando que ela está presente nas plantas, nos animais, nos alimentos que comemos, e claro, em nós mesmos! Ainda, instigamos a consciência ambiental dos alunos para lembrar da importância de não poluir esse grande recurso mundial. O interessante é que ao conhecermos melhor as propriedades da água e suas aplicações no nosso cotidiano, podemos compreender melhor porque necessitamos preservar esse recurso. A popularização da ciência é a melhor ferramenta que possuímos para conseguir atingir a consciência das nossas necessidades mundiais.

Protocolos para atividade prática:

Solubilidade

Material:

  • 3 beckeres
  • Óleo de cozinha
  • Anilina 
  • Sal

Procedimento:

1- Numerar de 1 a 3 os beckeres.        

2- Colocar água em cada becker.

3- Colocar sal no becker 1.                                

4- Colocar anilina no becker 2.

5- Colocar óleo no becker 3.                             

6- Analisar os dados. O resultado esperado é a dissolução do sal e anilina em água, enquanto o óleo não irá se misturar.

                  Becker 1                                        Becker 2                                      Becker 3

 

Tensão superficial

Material:

  • 1 becker
  • Detergente
  • Glitter

Procedimento:

1- Colocar água no becker.                          

2- Colocar glitter no becker com água.

3- Colocar detergente em cima do glitter.           

4- Analisar os dados. O resultado esperado é que a adição do detergente quebre a tensão superficial, e o glitter, que antes estava boiando, afunde na água.

gli

Capilaridade

Material:

  • 1 flor de cravo
  • 1 becker
  • Anilina

Procedimento:

1- Colocar água no becker.                         

2- Colocar anilina na água.

3- Colocar a flor de cravo na água com anilina.                

4- Analisar os dados. O resultado esperado é a coloração das pétalas da flor devido à subida da água colorida por capilaridade.

capilaridade

 

Osmose

Materiais:

  • Batata
  • Sal
  • Faca

1- Cortar a batata ao meio.                    

2- Colocar sal no lado sem casca. 

3- Analisar os dados. O resultado esperado é que a água saia da batata por osmose, umidificando o sal.

osmose 2

Calor específico

Materiais:

  • Vela
  • Água 
  • Balão 
  • Caixa de fósforo

Procedimento:

1- Encher um balão com água.                     

2- Encher um balão com ar.

3- Acender a vela.                                                

4- Colocar o balão com ar em cima da vela.

5- Colocar o balão com água em cima da vela.                      

6- Analisar os dados. O resultado é que o balão com água não estoure, devido ao alto calor específico da água. Já o balão preenchido com ar, irá estourar.
bal

 

Relatórios:

1319