Entre Tapas e Beijos: A comunicação entre plantas e insetos

As plantas são organismos complexos, capazes de viver nos mais variados ambientes. Possuem adaptações que permitem que elas vivam tanto em lugares com pouca água e muito calor, como nos desertos e savanas, ou mesmo com excesso de água, como as espécies de ambientes que possuem um período de enchente, por exemplo as plantas do pantanal e mesmo de regiões amazônicas. Você também já deve ter visto plantas muito variadas: as aquáticas, plantas grandes, como a Araucária, e plantas muito pequenas, como as gramíneas.

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As Plantas são capazes de viver nos mais variados ambientes.

Diferente da maioria dos animais, as plantas são imóveis, pois não podem mudar de lugar para se reproduzir, se alimentar ou fugir de algum predador. No entanto, elas fazem isso através de sinais químicos. Estes sinais, em sua maioria, são imperceptíveis aos nossos sentidos, mas se fosse possível, ao redor de cada planta veríamos uma nuvem de compostos químicos exalando delas. Estes compostos indicam para outros organismos a identidade daquela espécie vegetal, funcionando como placas de sinalização. Durantes os vários eventos da vida da planta e de modificações no ambiente onde elas estão, esses sinais mudam.

Os insetos são os animais que mais interagem com as plantas. Aqueles que trazem algum benefício para a planta elas mantêm por perto. Porém, insetos herbívoros, ou seja, que se alimentam de pedaços das plantas vivas… Bom, contra estes, as plantas declaram guerra, e investem em substâncias repelentes. Insetos são muito numerosos no ambiente e durante seu desenvolvimento necessitam comer uma quantidade de plantas muitas vezes maior que seu próprio peso diariamente, no entanto, mesmo assim continuamos vendo grandes florestas e bosques e jardins. Como isso é possível?

Uma série de estudos já demonstrou que os vegetais são capazes de perceber os insetos herbívoros que estão próximos e ao perceber sua presença, desencadeiam respostas químicas para afasta-los. Esta percepção está dividida em dois momentos: antes e depois da mordida do inseto no tecido da planta. A saliva dos insetos herbívoros desencadeia eventos de produção e liberação de substâncias de defesa da planta, que podem ser tóxicas, deixando-os doentes ou até mesmo matando-os. Há também algumas plantas, que liberam nas folhas toxinas que deixam o inseto infértil, impedindo sua reprodução. Algumas investem em compostos que as deixam com gosto ruim, para que o inseto não goste de come-la.

Essas substâncias químicas agem inclusive em locais da planta distantes daquele que foi mordido pelo inseto, preparando outros tecidos do vegetal para um possível ataque. Elas promovem também a produção de compostos voláteis, que são liberados no ar, para emitir uma alerta para as plantas vizinhas avisando que o predador está por perto.  A forma como a planta irá se defender é variável. Além de uma defesa química, a resposta pode ser também física. Algumas plantas aumentam a produção de cutícula, que é uma cera que protege a folha, e lignina, que é uma molécula que confere rigidez ás células das folhas, o que as deixa mais duras, atrapalhando a alimentação do predador.

A guerra entre plantas e insetos é complexa e muito antiga já que esses organismos se conhecem desde muito antes dos demais animais surgirem na terra. Afinal, as plantas representam um prato cheio para eles. E é por isso que eles também usam algumas armas para conseguir fazer suas refeições. Muitos insetos já estão adaptados a pequenas quantidades de toxina, e conseguem se alimentar. Podem inclusive, guardar essa toxina no seu corpo, para se proteger dos seus predadores. A produção de   toxinas é bastante custosa, tanto em energia como em compostos paras as plantas, então se com uma pequena quantidade elas conseguirem convencer os insetos a comerem pouco, é vantagem para os dois lados: elas economizam e eles não morrem de fome.

Não devemos esquecer que existem muitos insetos que apesar de se alimentarem delas prestam serviços fundamentais às plantas. E são por eles que as plantas se interessam. Elas investem em químicos para atrair essas espécies que ajudam a planta na sua reprodução, e são chamados de polinizadores.

O Que é Polinização?
Quando você passa por uma planta que esta florida e sente aquele aroma, vê aquelas cores… fica encantada, não é mesmo? Estas são características das flores, que surgem na época reprodutiva da planta, para chamar a atenção dos insetos polinizadores, que são essenciais para a reprodução das plantas.

Além destes atrativos, lá no fundo da flor, está cheio de um líquido muito gostoso: o néctar. Que é a mais valiosa recompensa para o inseto que visita a flor, pois é rico em nutrientes e energia. Quando ele pega o néctar, que fica na parte de dentro da flor, acaba se “sujando” de pólen, que são os gametas masculinos da flor. A quantidade de néctar em cada flor é pequena, fazendo com que o inseto visite outra flor. Ao pousar, ele deixa cair os grãos de pólen, que vão para o ovário da flor e formam o embrião.

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Esquema representando como ocorre a polinização.
Fonte da imagem: http://www.pucrs.br/blog/pesquisa-com-participacao-da-pucrs-e-destacada-na-revista-science/

Os atrativos florais são determinados por compostos químicos, que resultam no cheirinho gostoso e também tem aqueles que determinam a cor. As cores da flor definem o grupo de polinizadores que será atraído. Por exemplo, as abelhas são muito atraídas pelas flores amarelas e azuis, portanto são muito sensíveis ás substâncias que conferem este tom de coloração. Muitos insetos também enxergam na faixa do ultravioleta, por isso, é comum que as flores tenham linhas em ultravioleta, que guiam onde o inseto deve pousar na flor para coletar sua recompensa.

As plantas e os insetos polinizadores evoluíram juntos na história do planeta, e hoje observamos que essa interação consolidada beneficia ambas as partes. Eles desempenham um papel muito importante na natureza, pois é a polinização que garante a reprodução das plantas e a alimentação destes insetos, que são vários, mas os mais famosos são as abelhas.

Autora: Bruna Claudia S. Jorge

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