Enzima que degrada PET: é suficiente?

Em 2016, relatou-se a existência de uma bactéria que se alimenta do PET e que o tem como principal fonte de energia: Ideonella sakaiensis 201-F6, que foi encontrada em uma usina de reciclagem, no Japão. Mas, o que é PET? PET é a sigla para politereftalato de etileno, um polímero que é muito conhecido por ser um plástico que constitui, principalmente, embalagens de garrafas de bebidas. Contudo, você sabia que o PET foi descoberto como uma fibra sintética para a confecção de roupas em meados do século XX, e que, só muito mais tarde, ele veio a constituir as garrafas e ser muito presente no nosso dia a dia como conhecemos hoje? Pois é. Acredite, porque é verdade.

A Ideonella sakaiensis tem a capacidade de secretar uma enzima que converte moléculas complexas do PET nas formas mais simples que a bactéria pode utilizar. O estudo acerca dessa enzima, que foi denominada de PETase, envolveu cientistas de vários países, inclusive pesquisadores brasileiros: Munir Skaf e Rodrigo Silveira, da UNICAMP, que participaram da elaboração da estrutura funcional da enzima. A partir disso, descobriu-se que a PETase é parecida estruturalmente com as cutinases, enzimas produzidas naturalmente por fungos das plantas.

Agora que essa enzima foi descoberta, será que a solução para a grave poluição ambiental por plásticos, que vivem centenas de anos antes de se degradarem, foi encontrada? Provavelmente, não. Os estudos já realizados são preliminares, e não devemos depender da ação da enzima para fazer a nossa parte. Até porque existem outros tipos de plásticos, e por isso, a PETase não é capaz de acabar com todo o plástico no mundo.

Logo, a maneira mais sensata de lidar com o problema, é continuar incentivando o correto descarte do plástico. E quando isso não acontece, diversas formas de vida são afetadas – como a ocorrência de asfixias, ferimentos ou mortes de animais por plásticos, por exemplo – além de aumentar os microplásticos, que são minúsculos fragmentos de plásticos obtidos a partir de sua degradação, no ambiente. Essa situação preocupa, pois as partículas indigeríveis estão contaminadas por diversos produtos químicos que se encontram no meio, fazendo com que seres que ingeriram microplásticos acidentalmente acabem por acumular substâncias tóxicas em seu organismo, inclusive o ser humano.

Em resumo, muitos plásticos podem ser reciclados e reaproveitados, mas a maioria não é descartada corretamente, ou seja, não são reaproveitados. Além disso, muitos plásticos têm a reciclagem inviabilizada pela própria natureza do material. Assim, a melhor saída é usar somente o necessário, podendo até utilizar outro tipo de material (vidro) quando possível e começar a descartar conscientemente.

Autores:

Deisiane Da Rosa

Ivan Alves

Mariana Kumagai Haro

Tainara Medeiros

Vandriel Rosa

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Referências:

-AUSTIN, Harry P. et al. Characterization and engineering of a plastic-degrading aromatic polyesterase. Proceedings of the National Academy of Sciences, v. 115, n. 19, p. E4350-E4357, 2018.

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