Feromônios: comunicação química entre indivíduos da mesma espécie

A comunicação química da natureza é invisível e silenciosa, mas está presente em todos seres-vivos. Quando substâncias químicas são disseminadas  e utilizadas como informação entre membros de uma mesma espécie, recebem o nome de feromônios. Os feromônios são emitidos em quantidades muito pequenas, e podem ser uma única molécula ou uma combinação de moléculas, que é o tipo mais comum. No geral, são capazes de percorrer grandes distâncias e ao entrar em contato com outro animal da mesma espécie encontram receptores, geralmente no nariz, e geram uma ação, uma mudança comportamental ou fisiológica.

Existem vários tipos de feromônios capazes de transmitir as mais variadas mensagens. Todos os tipos de organismos possuem feromônios, esse reconhecimento químico foi uma importante vantagem durante a evolução, especialmente para que fosse possível reconhecer quem são os indivíduos da mesma espécie que a sua. Cada espécie usa os feromônios que são necessários para ela, quantos e quais serão depende da sua estratégia de vida. As aves, por exemplo, têm uma excelente visão, este é um sentido muito desenvolvido nelas, por isso que costumam ser tão coloridas. Também usam canto para comunicação, portanto, os feromônios são mais um tipo de comunicação presente neste grupo. Os insetos são muito pequenos, o que limita que tenham a visão e audição muito desenvolvidos, porém a comunicação química neste grupo é muito sofisticada.

Os feromônios sexuais são os mais conhecidos e são muito usados no mundo animal. São substâncias que sinalizam a condição que o indivíduo tem de se reproduzir. No geral, as fêmeas quando entram em período reprodutivo passam a exalar uma série de compostos, que então, irão atrair os machos. Por outro lado, os feromônios de alarme são aqueles secretados no momento do ataque de um predador, avisando aos membros da espécie para que fiquem alertas ou se defendam. Os feromônios de ataque são aqueles secretados para coordenar um grupo ao ataque de algum organismo estranho. Também existem os feromônios de trilha, que são muito usados pelas formigas, e é assim que elas sempre acham o caminho de volta para o formigueiro, no geral, é usado para marcar o caminho do ninho até alguma fonte de alimento. Outros exemplos de feromônios são os feromônios de agregação, que são liberados pelos insetos para chamar outros que estão por perto, ao encontrar alguma nova fonte de alimento, que ainda não foi marcada pela trilha, por exemplo.

Estudos com feromônios têm ganhado espaço na ciência por possuírem influência direta no comportamento dos animais. Muitos destes feromônios atrativos, como os sexuais e de agregação, são usados em “armadilhas” para insetos que devoram plantações.  O que é uma boa solução para controlá-los, já que os feromônios são muito específicos para cada espécie, então o risco de prejudicar outras espécies é pequeno. Estas armadilhas também podem ser usadas para estudos de biodiversidade. Sendo colocadas armadilhas com vários feromônios em uma área e depois de algumas horas, retira-las e contabilizar quais espécies apareceram e que, portanto, vivem naquele local.

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Feromônios sexuais liberados pelas fêmeas são atrativos para os machos, que seguem estas pistas químicas para encontra-las. Os mais sensíveis ao feromônio vão chegar primeiro.

Humanos usam feromônios?

Assim como tantos outros mamíferos, nós seres humanos podemos usar comunicação química. A sincronização do ciclo menstrual de mulheres que vivem juntas e a reação de sucção do bebê ao chegar perto do seio podem ser exemplos de feromônios humanos, mas ainda são necessários mais estudos para confirmação. O estudo de feromônios em humanos é muito difícil, pois somos uma espécie complexa, com muitos fatores culturais. Apenas o fato de tomarmos banho todos os dias e usar produtos de higiene pode afetar a emissão destes compostos.

Autora: Bruna Claudia S. Jorge

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