PODCAST: Eu Cientista

ENTREVISTA

O ano de 2019 viveu o boom dos podcasts. Junção da palavra “Ipod” (o dispositivo reprodutor de áudio da empresa da maçã) e “Broadcast”, palavra em inglês que significa “transmissão”. O termo é atribuído ao jornalista inglês Ben Hammersley, que, em 2004, sugeriu a nomenclatura num artigo para o jornal britânico The Guardian. Desde então, o consumo de conteúdo nesse formato, programas de áudio divididos em episódios, onde o ouvinte pode consumir quando quiser e na ordem que quiser, vem crescendo e teve seu auge em 2019.

Em 2020 começamos a enfrentar uma pandemia mundial que modificou toda a nossa forma de produzir, divulgar e consumir conteúdos. Com isso os podcasts ganharam mais força, ocupando um lugar garantido nas principais plataformas de hospedagem de áudio do mundo. Com essa popularização, o campo até então pouco explorado pelos cientistas veio ganhando destaque com a criação de podcasts para a divulgação e comunicação científica. Pode ser uma conversa informal, ou até mesmo debates mais diversos e de fácil consumo sobre temas mais complexos, o formato dos podcasts fornece uma poderosa ferramenta para os divulgadores científicos e pesquisadores. Assim surgiu o podcast “Eu Cientista”, vinculado à revista A Bioquímica como ela é, o podcast tem o objetivo de não só apresentar trabalhos científicos, ou divulgar a ciência, mas de conhecer quem é o cientista por trás da pesquisa. 

Que cara tem um cientista? Como ele fala? Do que se alimenta? Será que vive apenas do laboratório pra casa e da casa para o laboratório? Será que todo cientista “fala difícil”? Para ajudar a responder essas perguntas e nos mostrar que nem todo cientista usa jaleco, o estudante de Biologia e membro da equipe editorial da nossa RABqCé, Rodrigo Kucharski deu início aos trabalhos do podcast “Eu Cientísta”. Conversamos com ele para saber mais sobre a história da criação do podcast, os desafios enfrentados e como conhecer mais dessa novidade. Confere os trechos da nossa entrevista.

Rodrigo, conta pra gente um pouco da tua história.

  • Eu sou o Rodrigo e entrei na Biologia em 2017/2. Sou da licenciatura e de cara procurei ter experiências com monitoria, que normalmente é nossa primeira oportunidade de bolsas e de possibilidade de experimentar a docência. Daí fui ser monitor da cadeira de Biologia Celular, só que no terceiro semestre do curso eu tive problemas com o curso, fiquei meio frustrado, sem saber o que fazer direito na graduação. Até que eu fiz a cadeira de Bioquímica I, onde eu tive uma experiência de ensino diferente de tudo que eu tinha vivido até então na graduação, o que me permitiu enxergar possibilidades de construção de conhecimento diferentes, que eu não tinha tido antes. Mesmo com o conteúdo extenso da disciplina, eu conseguia construir conhecimentos com a diversidade das formas avaliativas, foi onde eu mais aprendi. E numa das aulas, o Zé (José Cláudio, professor da disciplina e coordenador dos projetos de extensão da A Bioquímica Como ela é) comentou sobre o projeto de extensão que incluía a revista, e eu me interessei em participar. Entrei e comecei a ver caminhos pra mim na graduação e no projeto.

E como surgiu essa ideia de fazer um podcast?

  • Há um tempo atrás, dentro desse projeto de extensão, existiam materiais de entrevistas – inclusive a pasta chamava “eu cientista” -, com pessoas do laboratório de Estresse Oxidativo, professores e bolsistas do laboratório, alunos da disciplina de Bioquímica I, enfim. Daí durante nossas reuniões semanais o Zé comentou com a gente sobre esses materiais. Em paralelo a isso, eu comecei a consumir alguns podcasts pelo youtube, uma trajetória não muito comum de quem consome podcast, mas eu fui vagando pelos podcasts e fui curtindo o formato. Me proporcionava contatos com pessoas de mundos completamente diferentes, daí fui indo de um podcast a outro e assim por diante, até que me surgiram perguntas do tipo “por que eu gosto de consumir isso?”, “o que tem nesse formato que é tão bom?”, e eu curtia justamente por ter essa cara informal, de conversa mesmo. Eu não estava só consumindo um conteúdo de Ciências ouvindo dois pesquisdores, eu tava ouvindo uma conversa entre duas pessoas, de uma maneira casual. Os podcasts acabam te proporcionando ter assuntos no teu cotidiano que não são do cotidiano. 

Com a possibilidade de unir isso (um podcast) ao projeto de extensão, foi a motivação que faltava. Porque a gente já tem uma desvalorização muito grande da ciência. Tu não sabe quem é o cientista, não sabe quem tá lá fazendo ciência, e poder aliar a resolução desses problemas a um podcast, foi perfeito. O nome então surgiu dessa aba que existia anteriormente, desse material que tinha sido deixado de lado por falta de tempo e virou o podcast. E a gente teve muita ajuda do NAPEAD UFRGS, que desde o início ajudou com a edição e estrutura física de equipamentos. Mas foi um processo lento o de iniciar o podcast.

Quais foram as maiores dificuldades nesse processo de criação?

  • A maior dificuldade acabou sendo eu. Os primeiros episódios são sempre difíceis, até pelos padrões de outros podcasts que existem a muito tempo. Tu acaba comparando e se cobrando, mas com o suporte do Zé e do NAPEAD esse processo foi tranquilo. Mas foi difícil, pela minha timidez e falta de experiência em fazer os contatos, hoje em dia é muito mais tranquilo e divertido.    

E o que tu mais gosta hoje em dia relacionado ao podcast?

  • O que eu realmente gosto é que a gente tá falando sobre temas que são da academia, mas que também tem que pertencer a sociedade, e a forma com que a gente conversa ali é descontraída, com uma linguagem acessível, de conversa mesmo. E agora com a experiência, cada vez mais a gente vai pontuando e fazendo um caminho de simplificar a linguagem, sem perder o conteúdo. Então, a diversidade de temas que a gente trata, aliado a esse formato de conversa mesmo, é o que eu mais gosto. E um clima não engessado, né. Eu não quero uma apresentação, um seminário, mas uma conversa.

Como que tu vê o podcast, esse formato de conteúdo, como uma ferramenta de divulgação científica?

  • A gente acaba acreditando nos podcasts como uma ferramenta de divulgação científica justamente por ele promover, com esse formato conversa, a ocupação das pessoas em lugares que elas nunca estiveram antes. Você pode incluir pessoas,mesmo com correrias do cotidiano! Isso torna os podcasts uma ferramenta muito boa. Claro, existem as limitações de acesso a internet, ter acesso a um computador, um celular, mas na maioria das plataformas tu não precisa de uma conta premium, por exemplo. Não precisa ficar refém de uma assinatura para acessar o conteúdo de muitos podcasts, porque é gratuito. Então, mesmo com essas dificuldades, tu ainda assim tá promovendo que essas pessoas estejam em lugares e estejam consumindo ciência, que é tratada de uma maneira que ela não era antes, menos engessada. 

E como funciona a dinâmica do podcast “Eu Cientista”?

  • Não tem uma dinâmica muito engessada e muita regra não. Claro, existe um roteiro que a gente manda pros convidados e um planejamento de perguntas, até para o convidado não se assustar e conseguir se preparar. Mas eu gosto de ter a liberdade de conduzir uma conversa mesmo, poder perguntar e responder perguntas do convidado durante nossa conversa, poder fazer contribuições na fala do convidado, conversar mesmo. O convidado tem total liberdade de me perguntar coisas e a gente contribuir nas falas um do outro, isso eu gosto de pontuar bem sobre o nosso podcast. 

E tu tem dicas pro pessoal que tá com a ideia de iniciar um podcast?

  • Acho que a maior dica que me deram foi: começar. Ir lá e fazer mesmo. A gente acaba aprendendo fazendo. E entrar em contato com as pessoas, na cara dura mesmo. Com os convidados, enfim. E sobre equipamento, às vezes nem precisamos de nada tão sofisticado, porque até com a captação de áudio do próprio celular dá pra fazer. Eu já gravei episódios sem microfone, só com a captação de áudio do próprio notebook. E a edição, também existem programas super viáveis pra editar os audios. E das plataformas de hospedagem a gente tem a maioria de domínio gratuito, que você consegue até monetizar a audiência dos episódios. E sobre audiência, a gente precisa entender que não vamos ter mil seguidores logo de cara, mas é um trabalho lento, o segredo é seguir fazendo.  

E onde a gente pode acessar os episódios e consumir mais do “Eu Cientista”?

  • Temos o canal no youtube “Eu Cientista”, onde sempre postamos o áudio-vídeo dos episódios. Você também pode acessar os links dos eps pela página do instagram e no site da revista A Bioquímica Como Ela é, onde a gente sempre avisa logo que eles saem. No Spotify, Deezer e qualquer plataforma de podcast, se tu procurar por “Eu Cientista” também vão aparecer os nossos eps. Mas, principalmente, acompanhe pela nossa página do Instagram da A Bioquímica Como Ela é, a gente sempre divulga novidades do podcast por lá.

Por Diuliane Andrade

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