Uma visita divertida

Já que este número fala sobre alimentação, que tal pensarmos em como ocorrem os processos bioquímicos e mecânicos durante o processamento dos alimentos em nosso corpo e em outros seres vivos, como leveduras, por exemplo?

Juntamente com o projeto “Desmistificando a(o) cientista”, a bioquímica como ela é trouxe crianças e adolescentes do 5º ano do ensino fundamental, da EMEF Victor Issler, para dentro do Departamento de Bioquímica da UFRGS, construindo uma manhã criativa e cheia de atividades.

A ideia inicial é aproximar estas crianças deste espaço, que de fato pertence à comunidade, com o intuito de desconstruir a ideia que se tem do cientista, mostrando que todos nós podemos e fazemos ciência diariamente: observando, formulando hipóteses, testando-as, e discutindo sobre resultados obtidos, sejam eles positivos ou negativos. O projeto também levou as crianças para dentro dos laboratórios e possibilitou a aproximação dos cientistas e seu local de trabalho. Além, de desenvolver algumas dinâmicas relacionadas a alimentação, estimulando o pensamento científico, claro, de uma forma bem divertida.

Quando eu como, o que acontece no meu corpo?

Mas já que estamos falando sobre fazer ciência no nosso dia-a-dia, por que não começamos observando e formulando hipóteses sobre uma máquina que conhecemos bem e olhamos todos os dias no espelho, nosso próprio corpo? Esta dinâmica é simples, divertida e necessita de apenas alguns materiais:

  1. Papel pardo, aproximadamente 1,70 m por grupo de alunos; e
  2. Lápis, canetas hidrocores, giz de ceira, cola colorida ou qualquer outro material que possibilite riscar no papel.

Ocorreu da seguinte maneira: disponibilizamos uma série de alimentos com gostos e texturas diferentes, as(os) alunas(os) organizaram-se em grupos de acordo com suas afinidades na turma, e então escolheram os alimentos para comer, analisar seu gosto, textura, os sentidos envolvidos em comer aquele alimento e por onde ele estava passando dentro de seus corpos. Um(a) das(os) alunas(os) deitou no papel pardo enquanto as demais do grupo contornavam seu corpo no papel, e a partir daí desenharam e pintaram de forma criativa os caminhos pelos quais achavam que a comida passaria, os principais órgãos e seus nomes. A dinâmica ocorreu de forma livre, possibilitando a expressão do saber com base nos conhecimentos prévios das crianças, estimulando sua criatividade, capacidade de observação, e claro, construção coletiva, já que nenhum trabalho científico é feito por apenas uma pessoa. As crianças assinaram seus nomes e os trabalhos foram expostos no corredor do terceiro andar do departamento de bioquímica, confira algumas fotos:

Enchendo balões sem assoprar

Neste experimento foram utilizados:

  1. 6 garrafas PET de 500 mL
  2. 2 pacotes de fermento biológico seco
  3. água
  4. açúcar
  5. adoçante
  6. mel
  7. suco de laranja
  8. balões

As duas primeiras garrafas foram utilizadas como controle experimental. A primeira garrafa continha apenas água e fermento e a segunda apenas água e açúcar. Todas as outras possuíam fermento e alguma outra substância: água com açúcar, água com adoçante, água com mel e suco de laranja.

Mostramos para os alunos o processo de fermentação e questionamos o porquê de alguns balões encherem e outros não, ou o porquê de alguns encherem mais do que outros. Acreditamos que o essencial para o entendimento dos alunos é relacionar o experimento com a vida e o dia-a-dia de cada um. O fermento é aquilo que nossa mãe ou pai põe no pão, fazendo com que ele cresça. O gás que enchia o balão nada mais era do que o gás que enche o pão e faz ele crescer, não é mesmo? Nós humanos, assim como todos os seres vivos, nos alimentamos de algo para podermos ter energia para nossas atividades diárias. O fermento biológico nada mais é do que um ser vivo bem pequeno que faz parte de um grupo de seres chamados fungos (o mesmo grupo daqueles cogumelos que comemos ou que às vezes encontramos no pátio, como também o mesmo grupo dos mofos que aparecem no teto do banheiro ou nas comidas velhas da geladeira) e, portanto, também precisam se alimentar. No caso deste experimento, esses seres se alimentaram dos açúcares presentes na água com açúcar de cozinha (o açúcar que utilizamos em casa), na água com mel e no suco de laranja. E assim como todos os seres vivos também fazem, esses fungos excretam e eliminam coisas. Uma dessas coisas é o gás que acaba enchendo os balões!

Confira as fotos:

Esse experimento também é proposto neste vídeo com algumas variações

Qual a importância da mastigação?

Que comer é importante todo mundo sabe. Mas por que mastigar é importante, você sabe ? O processo digestivo acontece tanto por processos químicos, tanto pro processos mecânicos, como a mastigação. Tudo começa pela boca que é o local que nós cortamos e trituramos o alimento com o auxílio dos nossos dentes. Parece simples, não é ? É exatamente isso que propomos nesse simples experimento que você mesmo pode fazer em casa com apenas dois ingredientes. Com a ajuda dos alunos(as), juntos nos questionamos e tentamos descobrir qual a importância da mastigação. Os ingredientes utilizado foram:

1.Dois copos de água
2.Pastilhas efervescentes (ao menos uma para cada copo)

A ideia é simples, uma pastilha foi quebrada em pequenos pedaços por um aluno(a) e outra mantida inteira. A seguinte pergunta foi levantada, “O que vai acontecer com cada uma das pastilhas quando postas em água?”. Diversas hipóteses foram levantadas, algumas aconteceram e outras não.

Imagem experimento.jpg

Experimento com pastilhas efervescentes.

Mas é exatamente esse o nosso objetivo, questionar e instigar os alunos a pensarem e criarem sua próprias hipóteses. Como esperado, a pastilha quebrada se diluiu em água com maior velocidade do que com a pastilha inteira. Agora temos outra questão levantada, temos um resultado mas qual o porquê desse resultado ? A construção conjunta de ideias dos alunos, questionando, pensando, tentando responder essas perguntas simples é o que é mais construtivo. Assim como na mastigação, a quebra da pastilha possibilita uma maior área de contato com o meio e assim, aceleram a reação. Imagine você que quando a pastilha está inteira apenas a superfície está em contato com o meio e o interior não tem contato. É preciso que se dissolva camada por camada pra que se tenha acesso ao interior. Mas ao mesmo tempo, se quebrarmos teremos uma superfície muito maior, e será mais “fácil” para água dissolver. Exatamente o que ocorre com os alimentos que nós ingerimos. Se não mastigarmos da maneira correta, dificultamos ainda mais a atividade digestiva do nosso corpo e com isso teremos uma digestão inadequada e problemas como azia.

É extremamente interessante como com coisas tão simples como uma pastilha efervescente, nós conseguimos pensar, entender e ilustrar diversas coisas da nossa vida, do nosso cotidiano e do nosso corpo.

Tem ciência no teu chá!

A ciência que você não vê mas que está ao seu lado todos os dias.

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