VAMOS TESTAR? – Nutrição dos seres vivos

Após recebermos os alunos da EMEF Victor Issler no Departamento de Bioquímica da UFRGS, demos continuidade a esta parceria e levamos o projeto “Vamos testar?” para dentro da escola, preparando 3 encontros recheados de atividades abordando temas relacionados a esta edição da revista!

No dia 4 de Abril a equipe da revista visitou a escola e tivemos nosso primeiro encontro. Acompanhamos duas turmas do 5º ano e desenvolvemos experimentos relacionados com o tema de aprendizagem para este período escolar: a nutrição. Mas nesse primeiro encontro não falamos do tipo de nutrição que você deve estar pensando, falamos sobre nutrição de outros seres vivos, como leveduras, fungos e plantas!

1º Encontro

Nutrição dos seres vivos

No primeiro momento fizemos uma roda de conversa com o intuito de estimular o pensamento crítico dos alunos e fornecer uma oportunidade para que todos pudessem mostrar um pouco de seu conhecimento prévio sobre os assuntos abordados. Discutimos a importância da nutrição, não apenas para nós, mas para todos os seres vivos. Falamos sobre quais os tipos de seres vivos que conhecemos, e quais as estratégias que eles usam para sua nutrição. Mostramos imagens de fungos, plantas, leveduras e algumas animações para ilustrarmos o tema.

“Como os seres vivos obtêm energia?”

                                                  “As plantas se mexem?”

                                                                                    “O que é o fermento?”

Estes foram alguns dos questionamentos lançados logo no início, para que que os próprios alunos pudessem construir suas próprias respostas ao longo do encontro!

No segundo momento, cada uma das turmas foi dividida em 4 grandes grupos, que circularam em 4 estações diferentes, para que todos os alunos pudessem participar de todas as atividades.


Experimento 1

Encher balões sem assoprar.

Neste experimento foram utilizados:

  1. 6 garrafas PET de 500 mL;
  2. 2 pacotes de fermento biológico seco;
  3. Água;
  4. Açúcar;
  5. Adoçante;
  6. Mel;
  7. Suco de laranja;
  8. balões

As duas primeiras garrafas foram utilizadas como controle experimental. A primeira garrafa continha apenas água e fermento e a segunda apenas água e açúcar. Todas as outras possuíam fermento e alguma outra substância: água com açúcar, água com adoçante, água com mel e suco de laranja.

Mostramos para os alunos o processo de fermentação e questionamos o porquê de alguns balões encherem e outros não, ou o porquê de alguns encherem mais do que outros. Acreditamos que o essencial para o entendimento dos alunos é relacionar o experimento com a vida e o dia-a-dia de cada um. O fermento é aquilo que nossa mãe ou pai põe no pão, fazendo com que ele cresça. O gás que enchia o balão nada mais era do que o gás que enche o pão e faz ele crescer, não é mesmo? Nós humanos, assim como todos os seres vivos, nos alimentamos de algo para podermos ter energia para nossas atividades diárias. O fermento biológico nada mais é do que um ser vivo bem pequeno que faz parte de um grupo de seres chamados fungos (o mesmo grupo daqueles cogumelos que comemos ou que às vezes encontramos no pátio, como também o mesmo grupo dos mofos que aparecem no teto do banheiro ou nas comidas velhas da geladeira) e, portanto, também precisam se alimentar. No caso deste experimento, esses seres se alimentaram dos açúcares presentes na água com açúcar de cozinha (o açúcar que utilizamos em casa), na água com mel e no suco de laranja. E assim como todos os seres vivos também fazem, esses fungos excretam e eliminam coisas. Uma dessas coisas é o gás que acaba enchendo os balões. Juntos criamos varias hipóteses sobre os balões ais cheios e mais vazios, e concluimos que quanto mais concentrado de açúcar é o substrato, maior a atividade do da levedura, ou fungo e mais cheio ficará o balão.

Este experimento já foi proposto pela revista em outro encontro com as crianças e está descrito aqui (LINK).


Experimento 2

Labirinto de planta

Neste experimento nós queríamos testar a capacidade das plantas de seguirem a luz. Nós levamos uma caixa de sapato preparada com “andares” alternando espaços e com uma única abertura no topo, como na foto.

Para confeccionar a caixa foram utilizados os seguintes materiais:

  1. Caixa de sapato com tampa;
  2. 2 pedaços de cartolina;
  3. Tesoura;
  4. Cola;
  5. Feijão cru;
  6. Vaso com terra;
  7. Água.

Metodologia:

  1. Cortar uma abertura numa das laterais menores da caixa;
  2. Cortar 3 retângulos de cartolina com abertura em um dos lados, conforme figura abaixo:
  3. Plantar o feijão no vaso com terra e molhe;
  4. Colocar o vaso na parte inferior da caixa encostando em um dos cantos da caixa;
  5. Encaixar um dos retângulos dentro da caixa um pouco acima do vaso. Posicionar a abertura para o lado contrário de onde está o vaso;
  6. Fechar a caixa e colocar em um local iluminado;
  7. Após 2 semanas abrir a caixa. Molhar o vaso e colocar a segundo retângulo com a abertura para o lado oposto do primeiro retângulo;
  8. Após mais 2 semanas o feijão deve começar a sair pela abertura superior da caixa.

 Labirintodeplanta

A ideia era que conforme o feijão crescesse os “andares” móveis iam sendo baixados, selecionando os focos de luz. As crianças plantaram um grão de feijão em um vaso e colocaram na base. E agora, sem luz direta sobre a terra, será que o feijão cresce nessas condições? As crianças criaram diversas hipóteses e juntos tentamos imaginar o que iria acontecer nos próximos dias. As plantas por necessitarem obrigatoriamente de luz para sobreviver, criaram mecanismos para seguir a luz. Mas então, as plantas enxergam? Assim como nós não precisamos estar de olhos abertos para sentirmos o sol, as plantas não precisam ter olhos para saber a localização do sol. Foi isso que juntos, concluímos. Objetivo final era observar dentro de alguns dias a planta andar em formato de “zig-zag”, como em um labirinto. É muito provável que você mesmo já tenha visto alguma vez alguma plantinha, na rua ou na janela da sua asa, seguindo o sol. A caixa foi deixada na sala de aula dos alunos, para que podessem observar perto o crescimento da plantinha. Mesmo que o experimento não tenha dado o resultado esperado e a plantinha não ter crescido, provavelmente por falta de sol ou àgua, juntos nós conseguimos alcançar nosso objetivo. Conseguimos pensar, imaginar e criar hipóteses baseadas nas nossas experiências e de maneira divertida, usando coisas do nosso dia-a-dia.


Experimento 3

Experimento do pão 

Neste experimento, foram utilizados:

  1. Duas fatias de pão ;
  2. Dois potes descartáveis, pode ser utilizado bandejas de alumínio descartáveis;
  3. Filme plástico.

Metodologia:

  1. Tostar uma das fatias de pão no forno. Essa fatia deve ficar bem tostada e seca (sem umidade alguma);
  2. Colocar a fatia de pão não torrado num dos potes;
  3. Colocar a fatia torrada no outro pote;
  4. Cobrir os potes com filme plástico fechando bem;
  5. Observar as fatias por 2 semanas;

Levamos o experimento já montado para que cada uma das turmas pudessem acompanhá-lo em sua sala de aula com o passar dos dias. Discutimos a partir de alguns questionamentos:

                           “Quem são os fungos?”

                                                      “O que é mofo?”

                                                                         “Do que necessitam para crescerem?”

Como em todos os experimentos as respostas foram surpreendentes, mostrando o pensamento lógico e criatividade dos alunos em ação! Após algumas semanas retomamos o experimento para sabermos quais foram os resultados, e a partir de então discutimos e formulamos hipóteses para os resultados obtidos. Os fungos são muito dependentes de um substrato úmido para que possam se desenvolver, espera-se que sobre o pão tostado o fungo demore mais para se desenvolver e mais rapidamento no pão não-tostado. Também é necessário que este pão esteja contaminado com esporos de fungos, que irão originar novas colônias. Os esporos estão por tudo! Por isso que quando deixamos o queijo muito tempo na geladeira podem aparecer fungos, na verdade ele já estava contaminado antes de entrar na geladeira! O mesmo acontece com demais alimentos. Os esporos estão por todo o ar, por isso, facilmente em locais úmidos, como paredes de banheiros, por exemplo, é instalado o bolor, de uma forma bem oportunista.


Experimento 4

Do que uma planta precisa para crescer?

Neste experimento foram utilizados:

  1. Pote plástico pequeno;
  2. Feijão cru;
  3. Água;
  4. Algodão.

Metodologia:

  1. Umedecer o algodão com água;
  2. Forrar o fundo do pote com algodão umedecido;
  3. Colocar o feijão sobre o algodão;
  4. Colocar o copo em um local iluminado e não deixar o algodão secar;
  5. Colocar água aos poucos, ao longo dos dias.

O objetivo deste experimento é trabalhar os conceitos de germinação de sementes e nutrição de plantas através de um contato mais direto entre o aluno e o experimento. Proporcionando uma oportunidade para que o aluno faça suas descobertas ao seu tempo, desenvolvendo a responsabilidade e pelos seres vivos, além do cuidado com necessidades e sensibilidade da planta em fase de germinação.

A equipe da revista arrecadou potes plásticos recicláveis, de margarina e iogurte, por exemplo, para que cada um dos alunos pudesse confeccionar seu próprio experimento e levá-lo para casa. Os alunos também um relatório impresso para que pudessem registrar algumas observações sobre o acompanhamento da germinação e crescimento do feijão, confira alguns dos resultados:


A equipe 😀

Tem ciência no teu chá!

A ciência que você não vê mas que está ao seu lado todos os dias.

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